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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Uma segunda-feira sem pressa por Santiago

Depois de uma semana com dias bastante programados, a segunda-feira foi mais livre, sem uma grande atração como destino principal.

Começamos caminhando pelo comércio de Providencia e depois seguimos para o Parque Bicentenário, em Vitacura.

O parque é enorme, muito bonito e foi um programa especialmente gostoso com as crianças. Caminhamos por ali, elas aproveitaram o parquinho e paramos para observar os patos. Era um passeio simples, mas muito agradável, principalmente depois de tantos dias de estrada e programas mais intensos.

Na hora do almoço fomos conhecer a Dipsy's Backyard, uma hamburgueria em Vitacura que tinha chamado nossa atenção.

O lugar era descontraído, com um grande quintal nos fundos, e a especialidade eram os smash burgers. Foi uma escolha que funcionou muito bem para aquele dia — e, principalmente, uma aposta bem mais segura depois de algumas experiências pouco bem-sucedidas com a comida chilena. 

Depois do almoço, Fernando resolveu voltar para o apartamento para descansar um pouco e eu continuei o passeio sozinha com Felipe e Olivia.

Nós três seguimos para o MUT — Mercado Urbano Tobalaba, que já conhecíamos do segundo dia e do qual eu tinha gostado bastante.

Passeamos novamente pelo espaço, tomamos sorvete e, para ser bem honesta, tivemos mais uma experiência que não deu muito certo: o mote con huesillo. É uma bebida/sobremesa bastante tradicional no Chile, feita com suco doce de pêssego, pêssego desidratado e grãos de trigo cozidos. Pode até ser interessante culturalmente, mas para nós não funcionou muito bem  — ficou mais na categoria “provamos e seguimos em frente”.

Depois seguimos para o Costanera Center, onde Fernando nos encontrou mais tarde.

Fizemos mais algumas compras e, já reunidos novamente, continuamos caminhando pela região.

Foi assim que fomos até o Paseo La Villa, que já estava no meu roteiro e eu queria muito conhecer. É uma passagem curtinha e muito charmosa, cercada por antigas casas de arquitetura europeia e com uma pequena fonte no caminho. O conjunto inteiro parece destoar da Santiago moderna que existe ao redor e, justamente por isso, chama atenção.

É um daqueles lugares que não são exatamente uma atração turística tradicional, mas que valem a visita pela atmosfera.

Depois seguimos pela região e terminamos a noite no Pastas Nenetta, com massas para fechar o dia.

No fim, aquela segunda-feira que não tinha nenhuma grande atração programada acabou rendendo bastante.

Caminhamos por Providencia e Vitacura, levamos as crianças ao parque, comemos hambúrguer, voltamos ao MUT, experimentamos algo que não foi exatamente um sucesso, fizemos compras, conhecemos o Paseo La Villa e saímos para jantar.

Foi um dia de simplesmente viver um pouco Santiago, sem aquela obrigação de cumprir uma lista de pontos turísticos.

E talvez por isso mesmo tenha sido tão gostoso.

domingo, 12 de julho de 2026

Domingo na Vinícola Santa Rita

Depois de vários dias andando bastante — Santiago, neve, estrada e litoral —, o domingo teve um ritmo diferente. Pegamos o carro e fomos conhecer a Vinícola Santa Rita, nos arredores de Santiago.

Escolhemos a Santa Rita não apenas pelo vinho. O lugar reúne vinícola, construções históricas, jardins e o Museo Andino, então parecia um passeio que poderia funcionar bem mesmo estando com as crianças.

E funcionou.

Logo na chegada, já deu para perceber que o passeio seria bem diferente dos dias anteriores. Saímos completamente do cenário urbano de Santiago e encontramos uma propriedade enorme, muito verde e muito bem cuidada.

A Santa Rita é uma das vinícolas mais tradicionais do Chile e também carrega uma parte importante da história do país. É de lá que vem o famoso vinho 120, cujo nome faz referência aos 120 patriotas que, segundo a tradição, teriam encontrado refúgio na propriedade durante a luta pela independência chilena.

Fizemos o passeio pela vinícola, conhecendo um pouco do processo de produção e, claro, participando da degustação.

Com crianças, visitar uma vinícola poderia facilmente ter se transformado naquele tipo de programa em que os adultos se divertem e elas passam o tempo perguntando quando vão embora. Mas a Santa Rita tem uma vantagem enorme nesse sentido: há muito mais para conhecer além do vinho.

Para as crianças, inclusive, havia suco de uva para degustação, o que fez toda a diferença e deixou o momento delas também especial dentro da experiência.

Depois fomos ao Museo Andino, que fica dentro da propriedade e tem um acervo impressionante de peças arqueológicas e etnográficas dos povos que habitaram o território chileno.

Foi uma surpresa encontrar um museu daquele tamanho dentro de uma vinícola.

E a experiência ainda ficou melhor na saída: havia uma brinquedoteca maravilhosa, com peças imantadas e diferentes materiais para montar e brincar. As crianças ficaram um bom tempo ali se divertindo enquanto nós aproveitávamos para descansar um pouco e observar o movimento com calma.

O domingo acabou sendo exatamente isso: um dia mais calmo no meio da viagem.

Sem as curvas e a expectativa da Cordilheira, sem o movimento do centro de Santiago e sem a correria do bate-volta ao litoral.

Só um passeio bonito, um pouco da história do Chile, vinho para os adultos, suco de uva e brinquedoteca para as crianças, e espaço suficiente para que todos aproveitassem no seu próprio ritmo.

E, depois de quase uma semana no Chile, já começávamos a perceber uma coisa: a viagem estava ficando muito mais variada do que imaginávamos. Em poucos dias tínhamos passado pela Santiago moderna e histórica, visto neve caindo na Cordilheira, conhecido o Pacífico e agora estávamos em uma das vinícolas mais tradicionais do país.

Nada mal para a nossa primeira semana chilena.

sábado, 11 de julho de 2026

Um sábado no litoral: Viña del Mar e Valparaíso

 Depois do dia intenso na neve, o sábado seria completamente diferente. Pegamos o carro e saímos de Santiago em direção ao litoral para conhecer Viña del Mar e Valparaíso.

Chegamos a Viña del Mar perto do meio-dia e começamos a conhecer a cidade a pé. O dia estava muito agradável, com tempo aberto e uma temperatura surpreendentemente boa para o inverno.

Minha primeira impressão de Viña foi positiva: achei a cidade bonita, organizada e agradável para caminhar, embora confesse que esperasse um pouco mais. Era bonita, sim, mas naquele primeiro contato não chegou a me impressionar tanto quanto eu imaginava antes da viagem.

Andamos bastante pela cidade e depois fomos almoçar no Flor de Chile.

E finalmente aconteceu: acertei na comida chilena! 

Escolhi frutos do mar e gostei bastante. Depois das experiências gastronômicas um tanto questionáveis dos primeiros dias, foi bom finalmente sair de uma refeição realmente satisfeita.

Depois seguimos passeando e fomos até a região da praia.

Foi ali que aconteceu uma das cenas mais absurdas — e que certamente ficará entre as histórias da viagem.

Felipe e Olivia estavam dividindo um sorvete quando alguns cachorros avançaram no sorvete.

Os dois se assustaram e saíram correndo. Olivia começou a chorar e, no meio daquela confusão, aconteceu algo ainda mais inacreditável: um homem pegou o sorvete depois que os cachorros já tinham lambido e ofereceu novamente para as crianças.

Não, obrigada. 

Passado o susto — e perdido definitivamente o sorvete — seguimos viagem para Valparaíso.

As duas cidades são muito próximas, mas a mudança de cenário é enorme.

Estacionamos perto da região do porto e já tivemos uma recepção um tanto peculiar. Apareceram os famosos flanelinhas, que cobraram 4.000 pesos adiantados pelo estacionamento e ainda nos recomendaram que tirássemos qualquer coisa de ouro que estivéssemos usando.

Uma excelente maneira de fazer quatro turistas se sentirem tranquilos. 

Seguimos em direção a um dos elevadores de Valparaíso, querendo subir para conhecer a parte alta da cidade. Só que descobrimos que não aceitavam cartão.

Como não tínhamos como pagar, resolvemos subir a pé.

Olivia ficou indignadíssima com essa decisão.

E, para ser justa com ela, a subida realmente não ajudou muito na nossa primeira impressão de Valparaíso. 

Encontramos muitas pichações, sujeira e bastante cocô de cachorro pelas ruas. Era uma cidade muito diferente daquela Valparaíso colorida e charmosa que eu havia imaginado vendo fotografias antes da viagem. 

O ponto alto foi encontrarmos um gatinho ...

Chegando à parte alta, porém, encontramos uma vista muito bonita. Ali dava para entender um pouco melhor o fascínio da cidade: os morros ocupados por construções coloridas, o porto lá embaixo e o Pacífico formando o cenário.

Ainda assim, não nos empolgamos a ponto de explorar muito mais.

Talvez Valparaíso seja justamente uma dessas cidades que precisam ser conhecidas com mais informação — sabendo quais cerros visitar, onde estão os murais mais interessantes e quais ruas realmente valem a caminhada. Naquele dia, nossa passagem acabou sendo mais rápida.

Voltamos para o carro e começamos o caminho de volta para Santiago.

Foi um dia curioso porque conhecemos duas cidades vizinhas e tivemos impressões completamente diferentes delas. Viña del Mar nos pareceu bonita, organizada e agradável; Valparaíso, muito mais caótica e difícil de compreender em uma visita rápida.

E ainda voltamos com uma história que provavelmente será contada por muitos anos:

o dia em que Felipe e Olivia perderam o sorvete para os cachorros em Viña del Mar. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

O dia em que vimos a neve cair - Valle Nevado

Esse provavelmente era o dia mais aguardado da viagem. Tínhamos vindo ao Chile no inverno com um desejo muito específico: queríamos que as crianças vissem neve — e, se tivéssemos sorte, que vissem a neve caindo.

Na noite anterior já havíamos alugado praticamente todas as roupas necessárias, então estávamos bem preparados. Só havia faltado uma coisa: as luvas do Felipe, que alugamos pela manhã junto com as correntes para o carro.

Não conseguimos sair tão cedo quanto pretendíamos, mas seguimos viagem tranquilos.

Começamos a subir a Cordilheira sob uma chuva fina. O trânsito estava fluindo bem e, naquele momento, tudo parecia indicar apenas mais um dia frio e chuvoso.

Até que, já bem próximos da vila de Farellones, percebemos que alguma coisa estava mudando.

A chuva começou a engrossar e, por alguns segundos, ficamos olhando sem acreditar muito no que estávamos vendo.

Até que alguém gritou:

— NEVE!!!

Era neve.

Farellones ainda estava praticamente sem qualquer neve acumulada. O que víamos de branco eram basicamente as pistas com neve fabricada. Por isso nem paramos e continuamos em direção ao Valle Nevado.

E foi justamente dali para frente que o cenário começou a se transformar.

Quanto mais subíamos, mais neve aparecia. Primeiro nas laterais da estrada, depois sobre o asfalto e nas montanhas ao redor. De repente, tudo começou a ficar branquinho, branquinho, exatamente como imaginávamos quando planejamos aquela viagem.

Logo encontramos vários carros parados para colocar correntes e fizemos o mesmo.

Enquanto Fernando cuidava das correntes, eu e as crianças saímos do carro.

E foi ali, na beira da estrada, que tivemos a experiência que mais esperávamos viver no Chile.

Sentimos a neve caindo sobre nós, pisamos naquele chão completamente branco, fizemos nossas primeiras bolas de neve e começamos a brincar.

Depois disso, a própria subida virou parte do passeio.

Seguíamos lentamente junto com o comboio de carros e, sempre que a fila parava, saíamos novamente. Brincávamos um pouco, olhávamos a paisagem, sentíamos a neve cair e depois voltávamos para o carro para avançar mais alguns metros.

E assim fomos subindo a Cordilheira.

Sem pressa e sem nem perceber direito quanto tempo aquilo estava levando, porque estava simplesmente uma delícia.

Quando finalmente chegamos ao Valle Nevado, já havia passado da hora do almoço.

E encontramos um cenário bem menos idílico. 

O lugar estava caótico. Faltava energia, praticamente tudo estava parado e aquela neve gostosa da subida havia se transformado em uma mistura de chuva fina e vento.

E nós estávamos morrendo de fome.

Pegamos uma pequena fila e conseguimos entrar no restaurante que fica ali na base. Depois de toda aquela subida, foi uma delícia simplesmente ficar lá dentro: quentinhos, alimentados e olhando pela janela aquele cenário de inverno.

Quando terminamos o almoço e saímos, veio outra surpresa.

O tempo havia melhorado.

Não estava mais nevando, mas também não estava mais chovendo nem ventando. E o Valle Nevado estava lindo.

Como a energia ainda não havia voltado, não estavam vendendo bilhetes para as atrações. Então fizemos algo muito mais simples: procuramos um lugar fora das pistas onde pudéssemos apenas brincar na neve.

E foi exatamente o que fizemos.

Ficamos ali por muito tempo. Escorregamos, fizemos bonecos de neve, jogamos neve uns nos outros, inventamos poses para fotos e simplesmente aproveitamos aquele cenário.

Sem teleférico, sem atividade programada e sem muita estrutura funcionando.

E ninguém parecia sentir falta.

Por volta das 16h30, começamos a pensar que talvez fosse prudente descer. Não sabíamos como encontraríamos a estrada mais tarde, não queríamos dirigir pela Cordilheira em condições ruins e ainda tínhamos toda a descida pela frente.

O problema era convencer alguém a ir embora.

Ninguém queria sair dali.

Estava gostoso demais.

Finalmente entramos no carro e começamos a descer — e descobrimos que a estrada estava supertranquila. As condições tinham melhorado tanto que nem precisamos mais das correntes.

Na volta paramos em Farellones.

Primeiro demos uma olhada rápida na região e depois entramos na própria vila para conhecer um pouco melhor. Era curioso porque, apesar de estarmos tão perto do Valle Nevado, não havia praticamente nenhuma neve acumulada ali.

Fiquei olhando aquelas casinhas, as montanhas ao fundo e imaginando:

como será que esse lugar fica todo coberto de neve?

E, como se o dia ainda precisasse entregar mais alguma coisa, tivemos de presente um pôr do sol magnífico sobre a Cordilheira.

Foi quando bateu aquela pontinha de vontade de ter ficado mais tempo lá em cima.

A estrada estava ótima. O tempo havia melhorado. Talvez pudéssemos ter ficado mais.

Mas… como íamos saber?

Naquele momento, lá no alto da montanha, não tínhamos como prever como estaria a estrada algumas horas depois. Fizemos o que parecia mais seguro e descemos.

E talvez tenha sido justamente essa imprevisibilidade que tornou aquele dia tão especial.

Saímos de Santiago debaixo de uma chuva fina, vimos a chuva se transformar em neve diante dos nossos olhos, colocamos correntes na estrada, brincamos na neve enquanto o trânsito parava, encontramos o Valle Nevado sem energia, esperamos o tempo melhorar, fizemos bonecos de neve e terminamos o dia vendo o sol se pôr em Farellones.

Não foi exatamente o dia que havíamos planejado.

Foi melhor.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Terceiro dia de Viagem — Centro de Santiago, Lastarria e Cerro Santa Lucía

No terceiro dia resolvemos começar um pouco mais tarde. O plano acabou mudando durante o caminho de metrô e decidimos aproveitar o dia para conhecer a região mais central e histórica de Santiago.

Começamos pela La Moneda, o palácio presidencial chileno, e seguimos caminhando pelo centro. Passamos pela Plaza de Armas e pela região da Bandera, conhecendo uma Santiago bem diferente da Providencia moderna onde estávamos hospedados.

A ideia era justamente fazer um dia mais urbano, andando pelas ruas e conhecendo alguns dos lugares mais tradicionais da cidade.

Depois seguimos para Lastarria, um dos bairros que eu mais queria conhecer. Gostei muito do ambiente: ruas agradáveis, prédios antigos, restaurantes e aquele clima de bairro feito para caminhar sem muita pressa.

Paramos por ali para almoçar. O lugar era agradável e as crianças gostaram da comida, mas eu novamente não tive muita sorte: gostei bem mais do ambiente do que do que comi. A essa altura começava a ficar claro que minha relação com a gastronomia chilena não seria exatamente um dos grandes romances dessa viagem.

Depois do almoço seguimos para o Cerro Santa Lucía.

Subimos pelas escadarias e fomos conhecendo seus jardins, fontes, terraços e mirantes. É curioso encontrar um lugar assim praticamente no meio da cidade: você vai subindo e, aos poucos, Santiago aparece entre as construções, com a Cordilheira completando o cenário.

Depois de descer do cerro fizemos uma parada que acabou sendo uma das grandes surpresas do dia: fomos tomar café no Wonderland Café.

E foi incrível. O lugar inteiro é inspirado no universo de Alice no País das Maravilhas, daqueles cafés em que não é só o que está na mesa que importa — o próprio ambiente faz parte da experiência. Depois de algumas tentativas gastronômicas pouco memoráveis nos primeiros dias, finalmente tivemos uma parada que valeu não apenas pelo café, mas pelo conjunto todo.

De lá ainda seguimos novamente para o Costanera Center. Entramos em várias lojas e foi ali que conheci a Casaideas, uma daquelas lojas em que eu poderia facilmente perder muito mais tempo do que deveria.

Terminamos passando pelo Jumbo para comprar o jantar. Depois de alguns dias experimentando restaurantes sem grandes paixões, naquela noite resolvemos simplificar: queijos e vinho para nós e lasanha para as crianças.

E precisávamos voltar para o apartamento em um horário razoável porque ainda havia uma tarefa importante pela frente: alugar as roupas de neve para o dia seguinte.

A expectativa já estava toda voltada para o dia 10. Depois de três dias conhecendo Santiago, finalmente chegaria o momento mais esperado da viagem: nosso primeiro dia na neve.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Segundo dia - Los Dominicos, MUT e patinação no gelo no

Nosso segundo dia em Santiago começou repetindo algo que, com apenas dois dias de viagem, já estava virando tradição: o café da manhã no Pantiaguina.

Gostamos tanto da experiência do primeiro dia que não tivemos muita dúvida sobre onde começar a manhã seguinte. Tenho até uma foto nossa em frente ao café, que acabou registrando o início dessa pequena rotina santiaguina.

Em frente do Pantiaguina e ao fundo nosso prédio

Depois do café veio outra novidade: nosso primeiro contato com o metrô de Santiago.

Para Felipe e Olivia, andar de metrô já é quase uma atração turística por si só. Eles adoram, e em Santiago não foi diferente. E foi justamente de metrô que seguimos para o primeiro passeio do dia: Los Dominicos, onde fomos conhecer o tradicional centro de artesanato instalado ao lado da igreja de mesmo nome.

Foi uma manhã mais tranquila, andando entre as pequenas lojas e olhando artesanato, lembranças e produtos típicos chilenos. O lugar tem uma atmosfera completamente diferente da Santiago moderna que vínhamos conhecendo e foi também uma oportunidade de procurar algumas lembrancinhas sem a pressa de um shopping.

De Los Dominicos seguimos para o MUT — Mercado Urbano Tobalaba, que acabou sendo uma ótima surpresa. O espaço é enorme, moderno, cheio de restaurantes, lojinhas e ambientes diferentes, e eu gostei muito do conceito.

O almoço, porém, não acompanhou meu entusiasmo pelo lugar.

Queríamos experimentar comida chilena e fomos atrás do La Flaca, que demoramos um pouco para encontrar até descobrir que ficava no nível -2. Pedi carne com purê e foi uma escolha para esquecer: a carne parecia uma sola de sapato e o purê estava horrível. 😂 Até aquele momento da viagem, definitivamente ainda não estávamos nos acertando muito bem com a comida chilena.

Depois do almoço saímos do MUT e pedimos um DiDi para seguir até o Parque Arauco.

E foi justamente ali, enquanto esperávamos o carro, que aconteceu uma das conversas que provavelmente vou lembrar por muito mais tempo do que de muitos pontos turísticos da viagem.

Do nada, Olivia perguntou:

— Mamãe, Papai Noel não existe?

Pronto.

Eu e Felipe passamos os minutos seguintes tentando explicar uma questão bastante complexa para uma menina de oito anos no meio de Santiago.

Expliquei que, não, não existe um Papai Noel de verdade que percorre o mundo inteiro em um trenó distribuindo presentes em uma única noite. Mas que isso não significa que tudo aquilo seja uma mentira sem sentido.

Conversamos sobre a magia que os adultos criam para as crianças, sobre as lembranças que ficam da infância e sobre como nós mesmos escolhemos continuar contando essa história porque acreditamos no Natal e em tudo o que o Papai Noel representa, mesmo sabendo que ele não é uma pessoa real.

Felipe entrou na conversa comigo e ajudou a contextualizar para a irmã. E assim, esperando um DiDi entre o MUT e o Parque Arauco, tivemos uma daquelas conversas de família que aparecem sem aviso e acabam marcando uma viagem.

Depois seguimos para a região do Parque Araucano/Parque Arauco, porque havia um programa muito aguardado pela Olivia: patinação no gelo.

E ela amou.

A pista de gelo acabou se tornando uma das experiências preferidas dela na viagem. Enquanto boa parte do roteiro de inverno estava ligada à neve e à Cordilheira, para Olivia poder colocar os patins e entrar numa pista de verdade teve um significado especial.

Depois ainda fomos ao Parque Arauco. A ideia era passear pelo shopping e conhecer as lojas, mas o fim do dia não saiu exatamente como planejado e acabamos não aproveitando tanto o shopping naquela primeira visita.

Curiosamente, ele ainda teria uma segunda chance alguns dias depois — e aí, sim, eu descobriria o quanto gostava daquele lugar.

No fim, o segundo dia teve um pouco de tudo: artesanato em Los Dominicos, uma ótima descoberta chamada MUT, um almoço bem questionável, patinação no gelo e, no meio de tudo isso, uma menina de oito anos começando a descobrir como funciona uma das grandes magias da infância.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Primeiro dia inteiro em Santiago - Cerro San Cristóbal, Bellavista, Zoológico e Costanera Center

Nosso primeiro dia de verdade no Chile começou com um ótimo café da manhã em um café bem próximo ao nosso Apartamento, o Pantiaguina Providencia. E começamos bem: foi um daqueles cafés da manhã que já deixam uma boa primeira impressão da cidade.

De lá seguimos caminhando em direção ao Cerro San Cristóbal, passando por Providencia até chegar à Estação Oasis, onde pegamos o teleférico.

A subida já foi um passeio por si só. Fizemos uma parada na estação intermediária e depois seguimos até o topo do cerro. Lá conhecemos o santuário e a igreja e tivemos uma das primeiras vistas panorâmicas de Santiago. Foi também nosso primeiro contato com a dimensão da cidade e com a Cordilheira fazendo parte da paisagem.



Depois, em vez de simplesmente fazer o mesmo caminho de volta, descemos pelo funicular, saindo pelo lado de Bellavista. Foi uma escolha legal porque conseguimos experimentar os dois meios de transporte mais tradicionais do Cerro San Cristóbal no mesmo passeio: teleférico na subida e funicular na descida.

Já em Bellavista, caminhamos pelo bairro e fomos almoçar no Pátio Bellavista, no restaurante Vendetta. O lugar era bonito e agradável, mas a comida não entrou para a lista de grandes descobertas da viagem. Foi também minha estreia com o famoso pisco sour chileno — e descobri rapidamente que não era para mim: achei que tinha gosto de sabão. 

Felipe e o seu “melhor churros da vida”.
Na verdade, era uma coisa meio churros, meio crepe, cheia de doce de leite — mas não importa muito a definição porque, para ele, entrou oficialmente para a história da viagem.

Vendetta

Depois do almoço ainda caminhamos um pouco pelas ruas de Bellavista e, quando parecia que o passeio pelo cerro já tinha terminado, voltamos para o zoológico. As crianças estavam querendo ver lhamas e acabamos retornando justamente por causa disso.


A visita ainda rendeu uma lembrança especial para a Olivia: uma lhama de pelúcia, que ela adorou. O passeio teve também um pequeno episódio nada simpático com uma vendedora de brinquedos, que deixou a Olivia chateada, mas felizmente a lhama ganhou a disputa pelas lembranças daquele momento.

Voltamos de DiDi para o apartamento e fizemos uma pausa. No caminho das guloseimas do dia, ainda entrou um Krispy Kreme e água saborizada japonesa para felicidade das crianças — especialmente do Felipe.

Mais tarde saímos novamente para conhecer melhor os arredores do apartamento e terminamos a noite no Costanera Center. Jantamos por lá e aproveitamos para fazer compras no Jumbo, nossa primeira incursão de verdade por um supermercado chileno.

Felipe, aliás, começou nesse primeiro dia uma espécie de roteiro gastronômico próprio pelo Chile: adorou um crepe/churros com doce de leite, o donut da Krispy Kreme, uma água japonesa saborizada e, para fechar, o Wendy's do shopping. A qualidade não nos impressionou muito, mas para ele pouco importava: a graça era comer em uma rede americana.

Foi um primeiro dia bastante completo: começamos caminhando por Santiago, atravessamos o Cerro San Cristóbal de teleférico e funicular, conhecemos Bellavista, voltamos ao zoológico por causa das crianças e ainda terminamos a noite entre shopping e supermercado.

Sem grandes planos mirabolantes, acabamos conhecendo bastante da cidade logo nas primeiras 24 horas — e começando a descobrir também aquilo que cada um de nós procuraria pelo restante da viagem.

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