Depois do dia intenso na neve, o sábado seria completamente diferente. Pegamos o carro e saímos de Santiago em direção ao litoral para conhecer Viña del Mar e Valparaíso.
Chegamos a Viña del Mar perto do meio-dia e começamos a conhecer a cidade a pé. O dia estava muito agradável, com tempo aberto e uma temperatura surpreendentemente boa para o inverno.
Minha primeira impressão de Viña foi positiva: achei a cidade bonita, organizada e agradável para caminhar, embora confesse que esperasse um pouco mais. Era bonita, sim, mas naquele primeiro contato não chegou a me impressionar tanto quanto eu imaginava antes da viagem.
Andamos bastante pela cidade e depois fomos almoçar no Flor de Chile.
E finalmente aconteceu: acertei na comida chilena!
Escolhi frutos do mar e gostei bastante. Depois das experiências gastronômicas um tanto questionáveis dos primeiros dias, foi bom finalmente sair de uma refeição realmente satisfeita.
Depois seguimos passeando e fomos até a região da praia.
Foi ali que aconteceu uma das cenas mais absurdas — e que certamente ficará entre as histórias da viagem.
Felipe e Olivia estavam dividindo um sorvete quando alguns cachorros avançaram no sorvete.
Os dois se assustaram e saíram correndo. Olivia começou a chorar e, no meio daquela confusão, aconteceu algo ainda mais inacreditável: um homem pegou o sorvete depois que os cachorros já tinham lambido e ofereceu novamente para as crianças.
Não, obrigada.
Passado o susto — e perdido definitivamente o sorvete — seguimos viagem para Valparaíso.
As duas cidades são muito próximas, mas a mudança de cenário é enorme.
Estacionamos perto da região do porto e já tivemos uma recepção um tanto peculiar. Apareceram os famosos flanelinhas, que cobraram 4.000 pesos adiantados pelo estacionamento e ainda nos recomendaram que tirássemos qualquer coisa de ouro que estivéssemos usando.
Uma excelente maneira de fazer quatro turistas se sentirem tranquilos.
Seguimos em direção a um dos elevadores de Valparaíso, querendo subir para conhecer a parte alta da cidade. Só que descobrimos que não aceitavam cartão.
Como não tínhamos como pagar, resolvemos subir a pé.
Olivia ficou indignadíssima com essa decisão.
E, para ser justa com ela, a subida realmente não ajudou muito na nossa primeira impressão de Valparaíso.
Encontramos muitas pichações, sujeira e bastante cocô de cachorro pelas ruas. Era uma cidade muito diferente daquela Valparaíso colorida e charmosa que eu havia imaginado vendo fotografias antes da viagem.
O ponto alto foi encontrarmos um gatinho ...
Chegando à parte alta, porém, encontramos uma vista muito bonita. Ali dava para entender um pouco melhor o fascínio da cidade: os morros ocupados por construções coloridas, o porto lá embaixo e o Pacífico formando o cenário.
Ainda assim, não nos empolgamos a ponto de explorar muito mais.
Talvez Valparaíso seja justamente uma dessas cidades que precisam ser conhecidas com mais informação — sabendo quais cerros visitar, onde estão os murais mais interessantes e quais ruas realmente valem a caminhada. Naquele dia, nossa passagem acabou sendo mais rápida.
Voltamos para o carro e começamos o caminho de volta para Santiago.
Foi um dia curioso porque conhecemos duas cidades vizinhas e tivemos impressões completamente diferentes delas. Viña del Mar nos pareceu bonita, organizada e agradável; Valparaíso, muito mais caótica e difícil de compreender em uma visita rápida.
E ainda voltamos com uma história que provavelmente será contada por muitos anos:
o dia em que Felipe e Olivia perderam o sorvete para os cachorros em Viña del Mar.
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