Nosso segundo dia em Santiago começou repetindo algo que, com apenas dois dias de viagem, já estava virando tradição: o café da manhã no Pantiaguina.
Gostamos tanto da experiência do primeiro dia que não tivemos muita dúvida sobre onde começar a manhã seguinte. Tenho até uma foto nossa em frente ao café, que acabou registrando o início dessa pequena rotina santiaguina.
| Em frente do Pantiaguina e ao fundo nosso prédio |
Depois do café veio outra novidade: nosso primeiro contato com o metrô de Santiago.
Para Felipe e Olivia, andar de metrô já é quase uma atração turística por si só. Eles adoram, e em Santiago não foi diferente. E foi justamente de metrô que seguimos para o primeiro passeio do dia: Los Dominicos, onde fomos conhecer o tradicional centro de artesanato instalado ao lado da igreja de mesmo nome.
Foi uma manhã mais tranquila, andando entre as pequenas lojas e olhando artesanato, lembranças e produtos típicos chilenos. O lugar tem uma atmosfera completamente diferente da Santiago moderna que vínhamos conhecendo e foi também uma oportunidade de procurar algumas lembrancinhas sem a pressa de um shopping.
De Los Dominicos seguimos para o MUT — Mercado Urbano Tobalaba, que acabou sendo uma ótima surpresa. O espaço é enorme, moderno, cheio de restaurantes, lojinhas e ambientes diferentes, e eu gostei muito do conceito.
O almoço, porém, não acompanhou meu entusiasmo pelo lugar.
Queríamos experimentar comida chilena e fomos atrás do La Flaca, que demoramos um pouco para encontrar até descobrir que ficava no nível -2. Pedi carne com purê e foi uma escolha para esquecer: a carne parecia uma sola de sapato e o purê estava horrível. 😂 Até aquele momento da viagem, definitivamente ainda não estávamos nos acertando muito bem com a comida chilena.
Depois do almoço saímos do MUT e pedimos um DiDi para seguir até o Parque Arauco.
E foi justamente ali, enquanto esperávamos o carro, que aconteceu uma das conversas que provavelmente vou lembrar por muito mais tempo do que de muitos pontos turísticos da viagem.
Do nada, Olivia perguntou:
— Mamãe, Papai Noel não existe?
Pronto.
Eu e Felipe passamos os minutos seguintes tentando explicar uma questão bastante complexa para uma menina de oito anos no meio de Santiago.
Expliquei que, não, não existe um Papai Noel de verdade que percorre o mundo inteiro em um trenó distribuindo presentes em uma única noite. Mas que isso não significa que tudo aquilo seja uma mentira sem sentido.
Conversamos sobre a magia que os adultos criam para as crianças, sobre as lembranças que ficam da infância e sobre como nós mesmos escolhemos continuar contando essa história porque acreditamos no Natal e em tudo o que o Papai Noel representa, mesmo sabendo que ele não é uma pessoa real.
Felipe entrou na conversa comigo e ajudou a contextualizar para a irmã. E assim, esperando um DiDi entre o MUT e o Parque Arauco, tivemos uma daquelas conversas de família que aparecem sem aviso e acabam marcando uma viagem.
Depois seguimos para a região do Parque Araucano/Parque Arauco, porque havia um programa muito aguardado pela Olivia: patinação no gelo.
E ela amou.
A pista de gelo acabou se tornando uma das experiências preferidas dela na viagem. Enquanto boa parte do roteiro de inverno estava ligada à neve e à Cordilheira, para Olivia poder colocar os patins e entrar numa pista de verdade teve um significado especial.
Depois ainda fomos ao Parque Arauco. A ideia era passear pelo shopping e conhecer as lojas, mas o fim do dia não saiu exatamente como planejado e acabamos não aproveitando tanto o shopping naquela primeira visita.
Curiosamente, ele ainda teria uma segunda chance alguns dias depois — e aí, sim, eu descobriria o quanto gostava daquele lugar.
No fim, o segundo dia teve um pouco de tudo: artesanato em Los Dominicos, uma ótima descoberta chamada MUT, um almoço bem questionável, patinação no gelo e, no meio de tudo isso, uma menina de oito anos começando a descobrir como funciona uma das grandes magias da infância.
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